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Acerca da Mostra - I
Farei um comentário pequeno sobre todos os filmes que vi na 29ª Mostra Internacional de Cinema. Na ordem de vistos.
Um Anjo Apaixonado (Zakochany Aniol, 05) 
Um bom filme polonês. Uma comédia romântica bem boba, mas que chega a divertir em alguns momentos. Alguns personagens são muito bons. O filme narra a história de um anjo que, numa missão na Terra, se apaixona por uma mulher. Teoricamente, anjos são assexuados, mas não quando são escolhidos para integrar a crescente população humana. Diferente das comédias românticas americanas, mas que no resultado não se sobressai. Dificilmente chega ao mercado brasileiro, e isso não fará difereñça alguma. [56]
O Fora da Lei e sua Mulher (Berg-Erjvind Och Hans Hustru, 18) 

Brilhante. Fantástica a maneira como Victor Sjöström compõe a narrativa tão depressiva, de caráter intenso, sem utilizar-se de um único som. Ele é um excelente ator - depois, mais velho, viria ser o protagonista de Morangos Silvestres -, roteirista e diretor. A trama aparentemente simples cai num grande plano incerto, a velhice proeminente e o acaso transformam o filme ritmicamente. Mas o único problema do filme se dá exatamente no ritmo, desigual e cansativo em muitas cenas. É um filme que me remete bastante a A Última Gargalhada e ao próprio Morangos Silvestres. Muito bom. Se estiver disponível para locação - se existir aqui - aluguem-no. [88]
Café da Manhã em Plutão (Breakfast on Pluto, 05) 

Achei muito simpático o novo filme de Neil Jordan. Encaixei-o em minha programação mais pelo prestígio que tenho pelo diretor de Entrevista com o Vampiro do que por interesse à história. Quase desisti de vê-lo pelo atraso de quase meia hora - o que me fez perder o começo de Além do Azul Selvagem -, pois pressupunha que o filme de Herzog seria muito melhor. Aliás, a organização da Mostra desse ano estava caótica. A história de um rapaz, homossexual, que indignado com sua vida assume realmente quem é, aduirindo a identidade feminina. Parte para vida, e mesmo não conseguindo se estabilizar tenta unicamente ser feliz. Divertido. Deverá chegar aos cinemas em breve. [77]
Além do Azul Selvagem (The Wild Blue Yonder, 05) 

Decepção total. Começa muito bem, as cenas são lindas, toda a trama, a criação de um falso documentário, a proposta do alien - fantasticamente interpretado por Brad Dourif, que é a melhor coisa do filme -, mas chega uma hora que cansa muito. A película começa a desandar na chegada ao Planeta Azul, e a exploração, por mais bonitas imagens que possa trazer, não passa de um programa submarino da Discovery Channel. O final é extremamente equivocado e pretensioso. Pode ser que mude de opinião com uma revisão, tem quem goste. [46]
Querida Wendy (Dear Wendy, 05) 

Imensa surpresa esse drama roteirizado por Lars Von Trier e realizado por Thomas Vintenberg. Uma história simples. O cotidiano de uma pequena cidade, que como qualquer outra cidade possui seus marginalizados, aqueles excluidos socialmente por motivos banais. O início, a formação, a maneira como a história é contada, mostra dois lados: a vertente irônica e a vertente Romântica. As armas, objetos metálicos que introduzem cinco jovens ao seu próprio mundo, pacifistas, que visam a integração. Caracterizados e em sincronia, os fatres externos pouco importam para uma trupe devota a si mesmos. Até o fraco Jamie Bell está bem no filme, infelizmente não se pode dizer o mesmo do canastrão Bill Pullmam. O figurino é fabuloso. O filme está previsto para entrar em cartaz dia na próxima sexta, corram para os cinemas e assistam. [85]
Meu Pai Tem 100 Anos (My Dad is 100 Years Old, 05) 

Eu adoro o Guy Maddin, infelizmente seus filmes nunca chegam aqui. O ano passado eu vi o maravilhoso A Música Mais Triste do Mundo, neste ano, infelizmente, só teve seu novo curta. Meu Pai Tem 100 Anos foi escrito por Isabella Rosselini, visando a uma homenagem ao pai, Roberto. Contrasta a visão de cinesta de seu pai com Chaplin, com Hitchcook, com Fellini e com David O. Selzinick, todos interpretados por ela. Guy Maddin é um cara muito estranho, porém sua maneira de filmar é fantástica, atribuyindo sempre muitos valores estéticos e bizarros para compor a trama. Se puderem, baixem-no na internet. [85]
Roma, Cidade Aberta (Roma, Città Aperta, 45) 

Galardeei dois filmes vistos na Mostra com cinco estrelas: esse e 2046, já comentado. Roma, Cidade Aberta foi o melhor que vi, e sinceramente, não guardava mutias expectativas quanto a ele. Mesmo parecendo muito bom, não imaginaria que seria tanto assim. O precurssor do neo-realismo italiano - que mesmo não tendo visto muitos, é liderado com vantagem por Ladrões de Bicicletas - é dotado de uma grande engajamento social numa Itália ainda se desvinculando do Fascismo e da Segunda Guerra Mundial. O território está destruído, as pessoas não têm emprego, passam fome e ainda são sondadas por militares a fim de exercer a política de Hitler. O cinema social da atualidade preciso retroceder a esses clásicos para ter algo a almejar. Roma, Cidade Aberta é fantástico. Preciso rever. [95]
Escrito por Gabriel Carneiro às 14h47
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Brokeback Mountain (Idem, 05)
Creio que esse será o último comentário grande sobre filmes vistos na Mostra. Não trago na minha memória tantas lembranças como gostaria para elaborar os demais textos. Escolhi Brokeback Mountain para comentar pela aura que está se formando ao redor deste. Grandes chances no Oscar nas categorias principais, prêmio do Festival de Veneza, críticas bastante positivas... O drama gay de Ang Lee tem conquistado as pessoas, aludido a um romance impossível e fadado ao preconceito. Outro filme em que tinha grandes expectativas.
Acho que tenho birra de Ang Lee, não é possível que seja tão aclamado e ainda não tenha visto nada além do mediano. Hulk é algo desprezível, detesto e muito, como se pode ver na minha crítica sobre tal. O Tigre e o Dragão é um filme que preciso rever, porém as lembranças que esse me traz é de apenas um bom filme, correto, que não empolga e bom entretenimento. O cinema de Lee aparenta-me muito distante, sem emoção, ou ao menos sem indução a ela; interessante perceber que o causador de minha descrença nele é o fato de seus filmes serem para mim extremamente frios. O drama do homem verde beira o patético a partir do momento em que não há verdade na sua expressão. Em Brokeback Mountain, Lee tenta por demais mostrar como funcionaria o relacionamento homossexual na área rural americana durante a década de 60/70, as dificuldades enfrentadas, empecilhos, as fugas à montanha Brokeback.
O grande problema do filme reside na contradição que envolve a trama. O envolvimento de ambos, a paixão, o desejo de luxúria nasce de maneira muito simples e fácil. Não creio que haja uma barreira tão facilmente tranposta entre a heterossexualidade e a homossexualidade, tampouco amor à primeira vista. Isso além de ser pouco crível - e vejo aqui o mesmo problema de Cold Mountain, a questão do amor sem praticamente paixão -, contrapõe-se às enormes dificuldades encontradas pelo casal para se verem, e para manterem o relacionamento ambíguo. Acho inconcebível pessoas que se dizem heterossexuais, tão distintas entre si, num momento, inesperadamente - só porque dividem a mesma barraca durante a noite -, acordam e resolvem trocar carícias e satisfazerem suas necessidades libidinosas. Contra-argumentarão dizendo que é algo determinista, na qual o ambiente e as condições a que estavam submetidos os fizeram sentir-se desesperados por carinho e sexo. Disso, infiro duas coisas: continua implausível que dois heterossexuais resolvam, do nada, praticarem relações sexuais com outros homens; se foi só pela necessidade, por que continuam? e como issso transforma-se em amor? Desconheço casos onde a luxúria venha antes do amor. Desconheço casos como esse, exceptuando-se os famosos casos de prisões.
É incoerente ver aquela "paixão" agressiva transformar-se em amor singelo. Dois caubóis que supostamente representam a masculinidade entregues um ao outro de maneira tão fraca, tão medíocre. Lee parece querer contrapor a masculinidade à feminilidade, ao juntar caubóis e homossexualismo. Se sua intenção foi sensibilizar o drama passsado por quem tem essa opção sexual, e que gays só diferem dos heteros na questão da repressão e preconceito, não conseguiu. As cenas fortes de sexo, e as diversas investidas pela devassidão e indecência só poderão causar ainda mais asco em aqueles que abominam essa inversão de valores. Pode ser que até comova os simpatizantes com essa realidade, mas se você, assim como eu, não se comove, indendente da relação, com algo tão distante e frio, com escassez de sensibilidade, esse filme só servirá para o tédio.
Há tentativas não continuadas de aprofundar a relação entre os dois, mas a sensação de que tudo aquilo é só sexo não permite a coesão entre os fatos. Depois de se estender, a uma continuada propagação de elementos chave para a comoção do público, tal como aquele clássico exemplo em que o indivíduo morre e é glorificado, mesmo por aqueles que o abominavam. A hipocrisia. Ao tornar-se alimento de vermes, é glorificado. O filme termina assim, querendo de qualquer forma glorificar, não importa como fora tratado e abordado antes.
A dupla de atores tão aplaudida por suas respectivas atuações nesse filme está bem. Não mais que isso. Jake Gylenhaal é o eterno Donnie Darko, nunca o vi também bem quanto neste filme. Ele é muito bom em personagens perturbados, papel de bonzinho não é o seu forte. Heath Leadger está bem, e isso é muito acima de qualquer coisa que já tenha feito em sua existência. Até então um eterno ator teen querendo fazer dramas humanos e adultos. Não é um grande destaque, mas longe de ser a incompetência que é normalmente.
Sim, o filme tem seus aspectos positivos. O cenário é fantástico, as pradarias mostradas são lindas e mostra-se como o grande elemento do filme. A trilha sonora é o outro grande aspecto.
Dizem que se um drama de caubóis gays fosse dirigido por Clint Eastwood, o resultado seria semelhante a esse. Discordo, o romance de Eastwood - leia-se As Pontes de Madison - é muito mais intenso no âmbito emocional, muito melhor caracterizado e muito menos hipócrita.
Talvez esteja equivocado, talvez não esteja sendo justo com o filme, talvez tenha tido expectativas muito grandes em trono da película, sei apenas que o filme apresentou-me mais elementos negativos do que positivos. Quem sabe melhora numa revisão?
Nota: 50/100
Escutando: CD (October - U2); Música (The progress Suite Prologue - Chad and Jeremy)
A Descobrir
Colateral (Collateral, 04) - Assisto ao filme pela segunda vez, e mesmo que o final me pareça bem menos impactante, continua um filmaço. Tom Cruise, repito, na melhor atuação de sua vida e na melhor atuação do ano passado. Jamie Foxx é um mero coadjuvante na trama. O suspense criado pelo matador de aluguel é fantástico. Um filme denso, que apresenta elementos argumentativos fantásticos. [90]
Escrito por Gabriel Carneiro às 22h47
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2046 (2046, 04)
Fui assistir a 2046 com receio, assistir pelas críticas positivas. Temia o resultado desse filme, pois seu anterior, Amor à Flor da Pele, causou-me tanto desgosto e amargura, que assim que visto pulou para primeiro na minha lista de piores filmes já vistos. Certo, vi quando estreou no cinema, há uns 4 anos atrás. Provavelmente, tendo os 12/13 anos que tinha, faltou-me maturidade suficiente para entender. Ou não. Só sei que minha opinião sobre seu diretor, Wong Kar-Wai, mudou completamente. 2046 é um filme fabuloso, é um quarto, é um estado de espírito. 2046, para a personagem, é a representação de sua vida, da mudança e da permanência. É um número que se liga às memórias dele, criando ilusões, mitos e transformações.
Infelizmente, Wong Kar-Wai só se apresentou à minha vida de fato há 16 dias atrás. Pode-se até inferir que seja megalomaníaco, e que suas criações bizarras, a partir de temas cotidianos e de uma filmagem simplista, extravasem a proposta inicial de se criar uma história de amor e desilusões relacionadas a este. O bizarro não é o mesmo de Cronenberg ou Lynch, ou mesmo Tarantino, é bizarro pelo distanciamento da realidade, e pela maneira que se resolvem os problemas. A bizarrice está justamente na criação dos mitos, associada à maneira que se conta a narrativa.
O escritor Chow Mo-Wan, agora em Hong Kong, tenta-se recuperar do (e esquecer) seu último caso, aquele com a vizinha - mostrado em Amor à Flor da Pele. Os desgostos são escondidos, evidenciando sua faceta conquistadora e "mulherenga", aproveitando-se das mulheres a sua volta, frequentadoras do quarto 2047. Tais relacionamentos, junto com sua trágica história em Cingapura com a vizinha, são a base da história, intitulada 2046, criada pelo escritor. Um trem que viaja sem rumo, e pessoas que o pegam visando a um passado perdido.
O filme é poesia, uma quase que Romântica, se não fossem as demasiadas mulheres. O saudosismo está presente, assim como a idealização. O vício, o tom depressivo, a morte eminente, os fardos do amor, o senso nostálgico... É impressionante como um filmes desses pode ser perigoso a uma alma descrente ou desesperançosa. A metáfora que se criara em torno da questão do ser humano X amor é a tradução de nossa ignorância. O trem que percorre sem rumo, onde não há volta - ao menos não conhecida -, um abismo, mitificando o passando e criando ilusões tão depressivas quanto aquele próprio.
2046 - cujo horrível subtítulo dado recentemente aqui no Brasil eu me recuso a escrever; bom, de qualquer forma, só por curiosidade, é 'Os Segredos do Amor' - é um filme de emoções, e sabedoria. Tendo sua interpretação variadíssima, tal que cada indivíduo que assisti-lo achará algo de acordo com os sentimentos que o filmes transpassará. Pessoas acharão o filme arrastado e lerdo - arrastado nunca, lerdo em alguns trechos -, "bonitinho mas ordinário", muito bom - principalmente pelo estético criado; a maneira de Wong Kar-Wai narrar é realmente fantástica -, ou fantástico, uma quase obra-prima se não uma.
Os atores são fantásticos, tirando a Zhang Ziyi, eu não sei o nome de nenhum deles, mas mesmo assim não posso deixar de assinalar isso com um pequeno parágrafo. Todos eles são fabulosos: o escritor, a mulher de luvas negras, o dono da pousada. Com grande destaque para o escritor.
Um outro aspecto que queria ressaltar é a fotografia excepcional. Uma coloração diferente, que me remete muito ao aspecto de antigo, meio amarelada. A trilha sonora também é muito boa. O caráter oriental desmistificador universaliza a angústia da personagem magnificamente.
2046 me fez refletir: preciso urgentemente rever Amor à Flor da Pele e "O mytho é o nada que é tudo./ O mesmo sol que abre os céus/ É um mytho brilhante e mudo -/ O corpo morto de Deus./ Vivo e desnudo" (Fernando Pessoa).
Nota: 95/100
Escutando: CD (This Is Where I Came In - The Bee Gees); Música (Space Dementia - Muse)
A Descobrir
Mundo Cão (Ghost World, 00) - É fantástico saber que o jeito de assistir esse filme é tendo telecine. Pergunto-me como tal raridade cinematográfica nunca chegou aos cinemas de nossa terra. Aclamado pela crítica, o filme que conta com as melhores atuações das carreiras de Steve Buscemi e Thora Birch, e ainda é a revelação da hoje queridinha Scarlett Johansonn. Um filme para qual sempre tive curiosidade, porém foi num passagem de canais que vi a oportunidade que teria. O relacionamento de uma garota revoltada e um esquisitão de meia idade é fantasticamente retratado nesse filme. [81]
Escrito por Gabriel Carneiro às 22h07
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Marcas da Violência (A History of Violence, 05)
Começo hoje o primeiro comentário sobre a Mostra Internacional de Cinema São Paulo. Pretendo fazer algumas críticas no meu padrão usual, e das restantes fazer uma breve análise. Afirmo já que devo ser a única pessoa que não gostou de Marcas da Violência, não vi um comentário negativo, nada. Adoro David Cronenberg, dos poucos que vi, sou entusiasta de todos. Talvez seja isso que causou a decepção para esse, que se anuncia como uma crítica em sátira à violência nos EUA. E talvez ele realmente consiga ser o que pretende, mas falta a densidade dramática esperada. Com o histórico desse filme não é difícil perceber o motivo de minha desilusão - certamente a desilusão foi só minha -, seja tendo Cronenberg na direção, um diretor que sabe contar histórias muito bizarras de uma ótima maneira, seja no "hype" depositado na película, prêmios pelo mundo, indicação à Palma de Ouro...
No entanto, apesar da genialidade deste, tal aspecto está escasso nesse filme. Não que seja errado, ruim, ou qualquer coisa destrutora, mas o fato é que Cronenberg abandona sua originalidade e parece querer tornar-se uma cópia de Tarantino, especialmente quando se fala de Kill Bill. Situações desconfortáveis, risos causados pelo exagero, violência estilizada e um constante senso de ironia permeiam a história. Repito mais uma vez: isso não é algo negativo, porém a maneira tratada e a grande semelhança com o cinema anticonvencional de Quentin mostram a falta de novas abordagens, de novas maneiras de se fazer cinema que não só rodeiam Marcas da Violência como grande parte do cinema. O filme de Cronenberg é mascarado em cult, ele sabe o que faz, já virou uma fórmula fazer filmes "queridos pela crítica"; distante exemplo de cinema autoral, como lhe é atribuído.
O filme é hilário, gargalhei em várias cenas, o humor funciona, e boa parte da alma tarantinesca funciona, mas infelizmente não é só disso que o filme é feito. A película parece não ter um propósito, um motivo de existência. Quer criticar a violência dos EUA? Mostrar a hipocrisia americana na questão do herói nacional? American Way of Life? Faça! as propostas são excelentes, mas querer fazer isso de maneira apressada, suprindo todos os possíveis eventos de maior cunho crítico, e contando a história com toda rapidez e superficialidade possível não é algo favorável ao desenvolvimento de uma história que tinha muito mais para dar. A sensação que tive ao sair do cinema foi de "já acabou?", "assim tão fácil?", tamanha a debilidade em que se encontra no rendimento da história.
Quando digo 'não ter um propósito', quero dizer que não há uma história em si, e sim uma sucessão de acontecimentos que desembocam numa conclusão sem haver uma trama de fato. Isso acarreta - ao menos para mim - numa indiferença profunda em relação ao filme e no senso fracasso da proposta. A falta de clímax comete a falta de abrangência da história, e exploração das situações e personagens é deixada de lado em detrimento da superficialidade da sucessão de eventos.
A película não é de todo mal, funcionando em alguns momentos, principalmente se você procura risos e cenas incríveis de luta, evocando a invencibilidade de Rambo. É o típico filme que não me atrai nem me causa repulsão e que provavelmente, numa revisão, subirá no meu conceito, já que irei ver desprentesiosamente, e toda essa análise crítica permanecerá, exceptuando pela questão da expectativa. É um filme divertido de assistir, que passa rapidamente - e enfatizo: rápido até demais - e distrai. Sem propóstiso de assitir, funciona muito melhor.
Ed Harris é excelente, um cara fantástico, sabe muito bem fazer o que lhe for dado. Uma pena ser um eterno coadjuvante, ou não, pois suas melhores atuações encontram-se nessa posição. Nesse filme é ele quem rouba todas as cenas. A crueza de sua personagem lhe cai como uma luva - uma pena que sua história termine de maneira tão simples e enfadonha. Viggo Mortensen é aquele bom ator, apenas isso, que descobrem e resolvem tornar astro. Felizmente ele não mais um Orlando Bloom da vida, que depois da cinessérie de extremo sucesso, O Senhor dos Anéis, viraram grandes estrelas de Hollywood.
Esteticamente o filme é bom. A trilha sonora de Howard Shore é legal, e a maquiagem se sobressai. Nada gritante, tudo muito comedido.
Ah, como de praxe, a história: numa cidade do interior americano, um sujeito dono de um restaurante é vítima de uma tentativa de agressão, assassinato e assalto. Ao ver que uma de suas funcionárias irá ser estuprada, ele intervém e acaba matando os dois meliantes. Torna-se então herói local e nacional. Um grupo de mafiosos vai atrás dele, alegando que ele não é quem diz ser e que seus passados já se cruzaram.
Vejam o filme e considerem-no uma obra-prima, ou seja o segundo a ter a mesma opinião que eu.
Nota: 53/100
Escutando: CD (Ziggy Stardust - David Bowie); Música (Candy Says - The Velvet Underground)
A Descobrir
Touro Indomável (Raging Bull, 80) - O filme que deu a Robert De Niro seu único Oscar de Melhor Ator é um ótimo retrato de um homem voltado à selvageria e truculência. O homem instintivo, levado pela vida e pelo boxe, e o homem humano, cheia de culpa e perdão. Martin Scorsese é o cara. Seus filmes são fantásticos. Mesmo com a péssima cópia da Sessão Cineclube, o filme não deixa de ser uma experiência magnífica. E Robert De Niro é o cara, sua transformação física é impressionante. [85]
Escrito por Gabriel Carneiro às 21h52
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Filmes vistos em Outubro legenda: revistos
- Meu Adorável Vagabundo (Meet John Doe, 41)
[93]
- Filhas do Vento (Idem, 05)
[57]
- Serenata de Lua Cheia (Setouchi Munraito Serenade, 97)
[50]
- Os Pinguins de Madagascar (The Madasgacar Penguins in a Christmas Caper, 05)
[56]
- Wallace e Gromit - A Batalha dos Vegetais (Wallace and Gromit: The Curse of the Were-Rabbit, 05)
[73]
- A Revolução dos Bichos (Animal Farm, 94)
[43]
- Amor Para Sempre (Enduring Love, 04)
[13]
- Touro Indomável (Raging Bull, 80)
[85]
- Contos de Nova York (New York Stories, 89)
[74]
- O Jardineiro Fiel (The Constant Gardner, 05)
[83]
- Billy Elliot (Idem, 00)
[62]
- Diabo a Quatro (Duck Soup, 33)
[60]
- Irmão Urso (Brother Bear, 03)
[51]
- O Senhor das Armas (Lord of War, 05)
[69]
- Um Anjo Apaixonado (Zackchany Aniol, 05)
[56]
- O Fora da Lei e Sua Mulher (Berg-Erjvind Och Hans Hustru, 18)
[88]
- Café da Manhã em Plutão (Breakfast in Pluto, 05)
[77]
- Além do Azul Selvagem (The Wild Blue Yonder, 05)
[46]
- Querida Wendy (Dear Wendy, 05)
[85]
- Meu Pai Tem 100 Anos (My Dad is 100 Years Old, 05)
[85]
- Roma, Cidade Aberta (Roma, Città Aperta, 45)
[95]
- Caché (Caché, 05)
[86]
- Brokeback Mountain (Idem, 05)
[50]
- Espelho Mágico (Idem, 05)
[87]
- O Projeto Goebbles (Das Goebbles Experiment, 05)
[50]
- Off Screen (Idem, 05)
[67]
- Marcas da Violência (A History of Violence, 05)
[53]
- Estrela Solitária (Don't Come Knocking, 05)
[66]
- O Beijo da Morte (Dödskyssen, 16)
[80]
- Terje Vigen (Terge Viken, 17)
[52]
- Vênus & Apollon nº 19 (Idem, 04)
[18]
- A Criança (L'Enfant, 05)
[21]
- Sra. Henderson Apresenta (Mrs. Henderson Presents, 05)
[65]
- O Mundo de Jack e Rose (The Ballad of Jack and Rose, 05)
[61]
- Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, 04)
[67]
Comentários: 36 filmes vistos no mês, excelente média. Certo que metade deles foi na Mostra. A Revolução dos Bichos é um insulto ao execlente livro de George Orweel de mesmo título; Amor Para Sempre é muito ruim, tirando a primeira cena, do balão, nada se salva; meu primeiro contato com os Irmõs Marx só mes mostra com eles são inferiores aos comediantes de peso da época; Todo Mundo Quase Morto cai numa revisão, as piadas parecem demasiadamente curtas, perdendo assim seu efeito.
Melhores filmes
- Roma, Cidade Aberta
- Meu Adorável Vagabundo
- O Fora da Lei e Sua Mulher
- Espelho Mágico
- Caché
Piores filmes
- Amor Para Sempre
- Vênus & Apollon nº 19
- A Criança
- A Revolução dos Bichos
- Além do Azul Selvagem
Escrito por Gabriel Carneiro às 11h39
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